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Kongo

Na metade dos 80, com o fim da ditadura militar, eclodiu uma nova geração do rock brazuca. Gente antenada em novas tendências (como o punk e a new wave), super ligada no que rolava no exterior e no mundo novo que então se abria a molecada brasileira.

No Rio, havia um cenário propício ao surgimento das bandas. O Circo Voador (então na sua primeira versão) explodia com o reggae-ska dos Paralamas, com a experimentação do Hojerizah e das vanguardas e o punk que ia dos Inocentes aos primeiros verões de um certo Renato Russo e sua Legião Urbana.

Nesse bojo, em 1984, nasceu o Kongo. A banda dos irmãos Nélson, Nilton e Édson Cerqueira já teve integrantes alemães. Gerd, um dos europeus, que vivia no Rio com sua família à época do tratado nuclear Brasil-Alemanha, sugeriu aos brothers que montassem uma banda de ska, nos moldes da 2 Tone.

Em 1986, o grupo gravou o inesquescível mini LP “King Kongo”, produzido por Bi Ribeiro. Temas do disco, como “Biquini Defunto” e “Babilônia” foram sucesso na primeira fase da Fluminense FM, peça chave na divulgação do rock da época e responsável pelo lançamento de grupos como a Plebe Rude e a Legião Urbana entre outros.

De todo modo, apenas três meses depois do lançamento do disco, com 17 mil cópias já vendidas, o Kongo foi sacado da EMI. Um ato estranho, de explicações controversas, já que a banda gozava de boa popularidade no cenário. Em 1989, seguiram os desastrados planos econômicos e anos difíceis para a cultura no Brasil.

Nos 90, Edson já estava convertido no DJ Edinho, um dos mais respeitados disk jóqueis alternativos do Rio, residente na Casa da Matriz, Fosfobox, Bunker e outros picos da noite carioca. No fim dos 90s Edinho se ligou também na 3rd wave (Terceira Onda) do ska, que trouxe um novo frescor as antigas paixões da família Cerqueira. O ska voltava a pauta.

Em 1998, no esteio do renascimento do ska aqui no Brasil, com ampla divulgação nos meios e o surgimento de bandas como Skuba, Skamoondongos, o Kongo voltou à ativa. No entanto, a banda renovou seu som tomando o caminho oposto das bandas de ska contemporâneas. Ao invés de apostar no naipe de metais como arma, o Kongo investiu na cozinha e deixou seu som afinadíssimo somente com vocal, guitarras, baixo, bateria e teclado.

A nova formação, presente nos álbuns Ataca outra vez (1998) e Tem que ser agora (2006) tem os manos Cerqueira, Major Nélson e Edinho (vocais e guitarras), mais Papa Nito (ex-sax, agora nos teclados) e o sangue novo de Edu (depois Rafael) e Róbson (bateria).

 

Kongo
Tem Que Ser Agora, 2006

Kongo
Ataca Outra Vez, 1998